12.09.2007 - Alex, o papagaio, faleceu...

FALECEU ALEX, O PAPAGAIO QUE FILOSOFOU MELHOR DO QUE DESCARTES...
 

 Alex, o adorável  papagaio africano, de cor cinza  (foto ao lado), uma das aves mais queridas no mundo e, sem dúvida, a mais conhecida dos cientistas, faleceu  no dia 12 de setembro de 2007, e deixou muitos amigos e etólogos órfãos de sua alegre e radiosa presença.

Alex sempre foi mencionado com destaque em artigos científicos e freqüentemente se apresentava em programas de TV, quando assombrava a todos pela desenvoltura e  conhecimento - comparado ao de criança entre 5 e 6 anos.

  Entre outras façanhas inacreditáveis, Alex  contava até seis, falava mais de cem palavras e sabia distinguir cores e formas.

O papagaio Alex, que contava com 31 anos na data de seu falecimento, vivia há três décadas com a psicóloga Irene Pepperberg, pesquisadora das universidades Brandeis e Harvard, que o utilizava nestas relevantes pesquisas, que promoveram  avanços científicos significativos sobre cognição das aves e evolução da linguagem no cérebro.

Foi a partir da publicação dos estudos feitos com Alex que o mundo científico se inteirou que papagaios não só repetem sons, que também são capazes de entender conceitos  e, não raro, demostram mesmo - como Alex - frustração com exercícios repetitivos.  

Quando Pepperberg, adquiriu Alex (em 1977)  os cientistas duvidavam de que uma ave pudesse se comunicar com seres humanos, todavia, com utilizar novos métodos de ensino, Pepperberg conseguiu estimular Alex a aprender grupos de palavras, a catalogá-las, a conhecer cores, formas e a contar pequenas quantidades.  Conta-se que Alex, certa feita, chamou uma maçã (que ele desconhecia o que fosse) de "banereja", o que se deu pelo raciocínio (indutivo) de que a fruta é vermelha por fora como a cereja (fruta que Alex conhecia) e branca por dentro como a banana (fruta que Alex conhecia), o que demonstra á existência do "raciocínio indutivo"  e não meramente "analítico", bem como grande capacidade criativa e significativa inteligência.  

Há, outrossim,  relatos de que Alex instruía outros papagaios no laboratório a falarem melhor quando eles gaguejavam.

Este trabalho  "Mudou a forma como pensávamos o cérebro das aves", afirmou Diana Reiss, do Hunter College, que trabalha com golfinhos.

Pepperberg diz que Alex ainda não tinha atingindo sua capacidade máxima. Sua última conversa com ele foi na quinta-feira, quando se despediu dizendo: "Comporte-se. Vejo você amanhã. Te amo". Alex respondeu: "Você estará aqui amanhã".

 CONCLUI ANAEL:

ALEX, um papagaio, com o córtex cerebral menor que o de DESCARTES, conseguiu viver a vida sem pregar a crueldade, foi carinhoso e gentil com todos, enfrentou exercícios  por vezes chatos, enfadonhos  e repetitivos com flagrante demonstração de tédio o que  - conseqüentemente - expunha que não era simples "máquina de repetir", e ajudou com seu exemplo a impulsionar a ciência quanto ao sistema cognitivo dos animais (lato sensu). 

Com superar as limitações oferecidas pela sua própria natureza, Alex atingiu a consciência própria a  uma criança de 5 (cinco) anos e viveu uma boa vida;  por outro lado, DESCARTES, a despeito de toda contribuição que tenha dado à ciência em outros temas - onde pode-lhe ser dado o devido crédito, com todo o seu volume cortical, com todo estudo que fez, disseminou a prática da vivisecção, com o que chancelou a prática de tortura e morte de criaturas inocentes, e foi insensível aos gritos de dor destes seres. 

Sua repugnante tese do "animal-máquina"  não chegam, como de resto quase toda sua obra,  a ser sequer  "romance filosófico", como VOLTAIRE irônica e corretamente a denominou, para lhe retirar a aura de seriedade que indevidamente lhe era atribuída por alguns filósofos.   Além da falta de lógica em algumas exposições em que afirma enfaticamente sem hesitar tal como o "penso logo existo" - pois se pensasse "o tempo todo" não diria esta e outras  bobagens  (nem todos os que existem pensam, e nem nós pensamos o tempo todo, mas não é  por isso que deixamos de existir), a perda da sensibilidade, dos valores humanos, e da dignidade pelas teses maquiavélicas que professou o distanciaram da verdadeira Filosofia.  Como disse GANDHI, de que me vale conquistar o mundo e perder minha alma? 

Pela  tese que criou e prática que adotava (Descartes fazia vivissecção, sem anestesia, e indiferente aos gritos de dor dos animais), tão distantes da  Vida, podemos afirmar que não foi filósofo, pois sua teoria, longe de comprovar que os animais são máquinas, na realidade criou o que podemos chamar de "homem-máquina", "homem-bruto", "homem-sem-essência", insensível aos apelos de sua consciência, aos apelos da vida e dos demais seres. Sua excrecência filosófica  não pode ser tida como superior à filosofia vivida por ALEX.  Que Deus o abençoe ALEX;  que Deus o ajude, Descartes... 

 
Descartes disse:
 "Penso, logo existo." (in Discurso Sobre o Método) e também que "Os animais nunca se desenvolvem a ponto de ser detectado neles algum sinal de pensamento"  (in Carta a Henry More, 1649) "logo os animais são máquinas destituídas de alma".   Graças a esse pensamento, imbecil e cruel, Descartes praticava a vivisecção, id est, cortava animais vivos para estudo, sem se importar com os gritos de dor que emitiam, vez que o carniceiro da filosofia tinha isso apenas por "resposta maquinal".
 
VOLTAIRE bem respondeu a esta teoria e repreendeu tal prática em seu Dicionário Filosófico (verbetes "Animais"  e "Irracionais"), condenando  não só a imbecilidade filosófica de Descartes quanto a este tema - a quem chama de "maquinista" (pela teoria do "animal-máquina"), que também sua crueldade, com dizer, citando exemplo de um cão e da vivisecção (corte de animais vivos, prática adotada por Descartes para estudo...) que foram defendidas pela teoria cartesiana:
"(...)Bárbaros agarram esse cão, que tão prodigiosamente vence o homem em amizade, pregam-no em cima de uma mesa e dissecam-no vivo para mostrarem-te suas veias mesentéricas. Descobres nele todos os mesmos órgãos de sentimentos de que te gabas.  Responde-me maquinista, teria a natureza entrosado nesse animal todos os órgãos do sentimento sem objetivo algum?  Terá nervos para ser insensível?  Não inquines à natureza tão impertinente contradição."
 Já em CARTAS INGLESAS  ("Coleção Os Pensadores, p. 21 e 22,  Editor Victor Civitta, 1978.) VOLTAIRE, novamente, ridiculariza DESCARTES, com dizer:
"Nosso Descartes, nascido para descobrir os erros da Antiguidade, a fim de substitui-los pelos seus próprios, e arrastado pelo espírito sistemático que cega os maiores homens, imaginou ter demonstrado que a alma era a mesma coisa que o pensamento, como, segundo ele, a matéria é a mesma coisa que a extensão." (esta última tese, de que matéria é somente extensão, foi rebatida por VOLTAIRE com apoio em Newton)
 
Finalmente, em O FIlósofo Ignorante (Os Pensadores, p. 300 e 301, 1978), arrasa novamente a filosofia cartesiana, chamando-a de ROMANCE FILOSÓFICO, inclusive a conhecida e equivocada frase "penso, logo existo" (cópia melhorada do "sou enganado, logo existo" de Santo Agostinho), pois ninguém existe só porque pensa, nem tampouco pensamos o tempo todo e, mais que isso, ninguém deixa de existir por não pensar (se não, talvez, DESCARTES tivesse deixado de existir antes de proferir esta bobagem, vez que, por ser tamanha, deve ter sido proferida sem pensar...), eis o trecho do texto de VOLTAIRE:

"Aristóteles começa dizendo que a incredulidade é a fonte da sabedoria;  Descartes dilui esse pensamento, e ambos me ensinaram a não acreditar no que dizem.  Esse Descartes, principalmente, depois de haver fingido duvidar, fala num tom tão afirmativo daquilo que não entende, está tão seguro do que faz, quando se engana redondamente em física, construindo um mundo tão imaginário;  seus turbilhões e seus três elementos são tão prodigiosamente ridículos que devo desconfiar de tudo o que me disser sobre a alma, depois que se enganou tanto sobre o corpo.  Que se faça seu elogio, no momento oportuno, desde que não se faça o de seus romances filosóficos, hoje desprezados definitvamente em toda a Europa."

Descartes, encarregando-se de harmonizar as partes desconexas de suas quimeras, supôs que o homem pensa sempre.  Eu prefiriria imaginar que os pássaros nunca deixam  de voar nem os cães de correr, porque estes têm a facultade de correr e aqueles a de voar. (...)"

 


Os animais respondem com exemplos como o de ALEX:
"A ciência comprovou que pensamos, logo, segundo o raciocínio de DESCARTES  existimos;  mais que isso, nós amamos, logo "somos". Só não temos certeza se Descartes "é", vez que há distinção entre ser e existir."

Deus afirma: 
 Eu Sou o Que Sou e Sou amor. Somente "são" em mim os que amam. Somente têm realidade e vencem a morte os que manifestam amor por todos os seres.  Um computador e Descartes podem existir e mesmo pensar, podem até mesmo filosofar e discorrer logicamente sobre Minha existência, mas se não manifestarem amor nada serão e sequer existirão por muito tempo." 

Concluem os franciscanos: 
 
"A morte mata a vida, mas o amor vence a morte, somente amando é que se vive eternamente."

Nota do Instituto Anael:

De há muito se discute se o comportamento animal é apenas instintivo ou se também é em parte racional.

 Com o progresso da ciência, biólogos analisaram a hereditariedade dos comportamentos instintivos e a notável inteligência de certos animais. 

 Nada obstante ainda não tenha tido fim a discussão, tais descobertas nos levam a concluir que, se as incríveis atividades de alguns  animais forem consideradas apenas "condicionamento e instinto", de igual modo  as nossas atividades humanas que lhes são assemelhadas deverão ser igualmente consideradas como fruto de "condicionamentos e instintos".

Há inúmeras evidências de que alguns animais são seres conscientes, racionais, com percepção de si próprios, e que denotam percepção de seus relacionamentos com os outros seres de sua espécie.

Todos os elementos usados pelos cientistas para tentar diferençar os humanos dos outros animais foram derrubados por investigações mais apuradas, entre os quais:

a) ferramentas - a alegação de que somente os homens usam de ferramentas, pois que estas são usadas não só por pássaros que usam de gravetos para caçar insetos e pedras para quebrar ovos (abutres egípcios), mas também por pássaros (corvo-marinho-de-crista-dupla) que ingerem pedras para poderem mergulhar e vencer a própria flutuabilidade quando estão a procura de peixe, como também por chipanzés que usam de gravetos para alcançar comida ou verificar profundidade de rio e de pedras para quebrar nozes, e ainda por elefantes que usam de gravetos para se coçar, e por formigas-tecelãs que usam larvas de  formigas vivas como ferramentas  para colar folhas entre outros inúmeros outros exemplos.

b) reconhecimento da imagem em espelho - também foi derrubada a tese de que somente o homem reconhece a própria imagem em espelho, vez que  alguns chipanzés demonstraram percepção do próprio "eu" refletido no espelho, quando cientistas lhes colocaram mancha de tinta na testa enquanto adormecidos. Quando acordavam e passavam na frente do espelho, paravam, olhavam bem para a imagem e depois erguiam as mãos e tocavam na marca de tinta que lhes fora pintada na testa.

c) compreensão da morte - muitos animais demonstram compreensão da morte, principalmente os elefantes;

d) coito de frente - a alegação de que somente o ser humano teria o privilégio de se relacionar sexualmente de frente com o sexo oposto o que supostamente lhe demonstraria a superioridade no mundo animal foi desmentida por relações filmadas entre chimpanzés, que também adotam por vezes a mesma posição.